sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fruto maduro que não é colhido, apodrece.
Disso todos nós sabemos, pelo menos no que diz respeito a peras e maçãs.
Na vida, no entanto, as coisas não são tão fáceis assim.
Nós, seres humanos, temos uma dificuldade enorme em nos sintonizar com os ritmos e o tempo de nosso próprio amadurecimento, o que me faz pensar...
Como algo tão fácil para a natureza pode ser tão difícil para nós?
A natureza, sábia como é, possui a capacidade de reter, bem como a de deixar ir.
Pense, por exemplo, em uma macieira.
Ela retém a maçã em seus galhos até que ela esteja vermelha, bem cheirosa e suculenta.
E se esse fruto não for colhido, ou derrubado por um pássaro mais ávido por comida, a maçã simplesmente cai.
Isso é o melhor para a árvore, que pode então se preparar para novos frutos, bem como para a maçã, que acabará se misturando com a terra, tornando-se útil, gerando novas árvores e fertilizando a terra, que nutrirá a árvore, que produzirá mais frutos, e por aí vai.
Tudo tão perfeito!
Por que não somos capazes dessa fluidez?
Penso então no quanto nos afastamos de nossa natureza interna.
No quanto paramos de escutar e respeitar aquilo que brota do lugar sagrado que existe dentro de nós.
No quanto estamos surdos.
E mais... se não somos capazes de ouvir a voz de nosso coração, o que se dizer da voz de nossa alma?
Quantas vezes, surdos como 'portas', entramos em ansiedade e nos apressamos em colher os frutos cedo demais.
Nos vemos então com aquela coisa verde e ácida em nossas mãos, e pensamos: que desperdício.
E temos que começar tudo de novo, desde o início, e rezar para que desta vez saibamos esperar.
Muitas pessoas abandonam precocemente um relacionamento amoroso por se sentirem ansiosas demais para confiar no ritmo da vida.
Antecipam-se, atropelam a si e ao outro, e constantemente tem que recomeçar.
Outras vezes esperamos tempo demais.
O fruto amadureceu... amarelou... apodreceu... e continuamos esperando... esperando...
O cheiro já é de coisa morta e podre, e nem mesmo assim percebemos e seguimos pela vida como se nada estivesse acontecendo.
E com o fruto, perdemos um tempo precioso, tempo de vida, esse que se vai e não espera por ninguém.
Aqui lembro daquelas pessoas que permanecem por anos e anos em um relacionamento estagnado, que já não traz nada além de uma falsa sensação de segurança e comodidade.
Como saber?
Como saber quando é hora de ir, de partir de um emprego, de deixar um casamento, de desligar-se de uma amizade?
Como saber se já fizemos tudo o que era possível?
Como saber se estamos querendo fugir cedo demais?
Na impossibilidade de nos transformarmos em maçã (eu já tentei... juro que não funciona!), não nos resta outra alternativa a não ser buscarmos reencontrar uma sintonia com a nossa natureza interna.
Porque no fundo, lá no fundo de nosso próprio ser, nós sempre sabemos.
Sabemos, mas muitas vezes não queremos saber.
Saber é assustador demais e muitas vezes vai contra os nossos desejos infantis de satisfação imediata, vai contra a nossa vontade pueril de sermos o centro do mundo, capazes de sustentá-lo exatamente como queremos, na palma de nossas mãos.
Nós não temos controle sobre a natureza, não somos capazes de impedir que uma fruta amadureça, que as relações se transformem, ou que a gente cresça e mude de idéia...
Não somos capazes de impedir as mudanças, pois elas são a própria essência da vida.
Ouça, pare de esperar certezasAssim, se você está em meio a uma situação que vem deixando você infeliz.
Não importa se anda querendo fugir, ou se tem medo de partir e acabar fazendo a coisa errada, pare por um momento todo o movimento externo e lembre-se de ouvir a voz de sua alma.
Cale todas as vozes que vem de fora.
Não ouça ninguém, a não ser a si mesmo.
Você sabe o que é melhor para você, acredite.
Não espere que a sua felicidade dependa da decisão de outras pessoas.
Tome a sua vida em suas próprias mãos.
Imagine que você seja um ser sábio e amoroso, que você esteja olhando para tudo o que vem lhe acontecendo de um lugar protegido, longe do medo.
Coloque um pouco a avalanche de emoções de lado e pergunte-se:
“O que seria o mais saudável para mim nessa situação?
Qual seria a decisão mais amorosa COMIGO?”
Pergunte, e espere.
A resposta virá, acredite.
 
(Patricia Gebrim - Psicóloga e Escritora)

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Sou uma pessoa de bem com a vida e dificilmente você me verá de mau humor.Tento levar a risca o ditado "não faça aos outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você". Procuro me rodear de pessoas alegres e que me olham nos olhos quando eu falo. Acredito que energia positiva atrai energia positiva.

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